O “tudo vale” científico em Feyerabend e o espaço atual do conhecimento científico.
Palavras-chave:
Problema da demarcação, relativismo epistemológico, pseudociênciaResumo
Na década de 1970, cresceu o debate sobre o que é ou não conhecimento científico. Paul Feyerabend foi um dos intelectuais nessa discussão levando ao extremo as ideias de Thomas Kuhn sobre não haver um método científico universal. O presente trabalho tem como objetivo explorar o impacto de Feyerabend na desvalorização do conhecimento científico na atualidade. Feyerabend argumentava que o progresso científico nem sempre seguiu métodos ortodoxos com notável diversidade de abordagens. Sua crítica ao método científico incentivou a criatividade, mas fomentou interpretações relativistas. O "tudo vale" (anything goes) na aquisição do conhecimento pode ser entendido como uma validação de que qualquer ideia merece igual consideração, criando uma falsa equivalência entre teorias científicas e meras especulações, posicionando tudo como apenas mais uma opinião. Provavelmente o pluralismo epistêmico de Feyerabend foi distorcido, sugerindo que a ciência é tão confiável quanto crenças pessoais. Abraçado pelas ciências humanas, mais recentes na história das ciências e, portanto, ainda buscando seu status entre as ciências naturais, as ideias dele não defendiam diretamente pseudociências, mas sua proposta é permisiva com ambiguidades e falta de critérios claros na avaliação das teorias. A liberdade metodológica defendida por Feyerabend foi instrumentalizada para justificar a negação das barreiras entre ciência e especulação. Embora a crítica ao método científico seja necessária o pensamento de Feyerabend contribuiu para o enfraquecimento da distinção entre ciência e opiniões.






