O mundo mágico de Maria Mulambo: Resistência e o universo mítico das pombas giras
Palavras-chave:
Umbanda, Pomba Gira, Maria MulamboResumo
Este trabalho tem como objetivo analisar o universo mítico-religioso da Umbanda por meio do estudo de caso das Pombas-gira, especialmente das entidades que compõe a falange de Maria Mulambo. A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira, miscigenada, de culturas múltiplas e variadas. Os umbandistas tradicionais incorporaram elementos católicos, indígenas e africanos. Na verdade, o que há são variáveis infindáveis desta matriz religiosa. Nos últimos anos, houve a junção com elementos kardecistas (Umbanda Karcedista) e até com elementos do Santo Daime. A relação com o sagrado e o profano, a desconstrução dos conceitos ocidentais cristãos de bom e mal, céu e inferno, Deus e Diabo e ética e moral é o que de melhor representa a religiosidade espiritualista afro e ameríndia. Há uma junção entre o sagrado e o profano numa simbiose perfeita, porém dotada de conflitos e interesses recíprocos. Os valores morais são ressignificados em prol de uma tradição mais aberta e flexível ao mundano. Nosso objetivo será apenas retratar essa simbiose do sagrado e do profano por meio do estudo da falange de Mulambo, buscando descortinar e desconstruir a visão negativista sobre esta falange, tal como a percepção tradicional de que estas mulheres estariam ligadas apenas ao lado sensual. As pombas-gira são entidades que não representam apenas o prazer carnal, a sensualidade, mas a cura por meio da bebida e outros artifícios sagrados, como a cachaça e o sacrifício de animais. Portanto, este trabalho é essencial para se combater a intolerância e auxiliar na divulgação deste segmento religioso nacional.






