Resistir para sobreviver: a solidariedade da Rede Sabores e Saúde como resistência ao capital
Palavras-chave:
Agroecologia, Agronegócio, OposiçãoResumo
O desenvolvimento técnico do espaço agrário brasileiro, a partir da segunda metade do século XX, foi estabelecido pela introdução de produtos químicos, biológicos e mecânicos na produção agrícola, sobretudo, no que se refere à utilização de agrotóxicos. Este meio técnico, agora muito vinculado à ciência e à informação, possibilitou o aumento da produtividade do setor agropecuário no país, contribuindo para a geração de riquezas dos grandes proprietários. No entanto, apesar do crescimento econômico, a modernização territorial, por meio deste novo pacote de técnicas, agudizou problemas anteriores relacionados à exploração do trabalho e trouxe graves consequências para a saúde humana e o meio ambiente. Neste contexto, a Rede Sabores e Saúde apresenta-se como um movimento de resistência ao agronegócio e tem como base a agroecologia, um campo interdisciplinar do saber que tem como finalidade a promoção de agroecossistemas de base ecológica e com justiça ambiental. O objetivo deste trabalho foi analisar a resistência desta rede à lógica do capital, considerando os princípios da agroecologia e economia solidária que orientam o grupo. Para isso, foi utilizada a metodologia de observação participante e a aplicação de questionário aos seus integrantes. Assim, foi observado que a solidariedade é um fator fundamental para a construção da resistência deste grupo frente à lógica do capital e fortalecimento da territorialidade destes sujeitos, evidenciando, nesse sentido, uma racionalidade econômica oposta à hegemônica. Entretanto, apesar desta resistência por meio de relações solidárias, a rede está inserida em um espaço marcado por relações capitalistas, o que manifesta o seu movimento dialético.






