Transfobia e Permanência Escolar: uma Análise do Filme Alice Júnior como Ferramenta de Reflexão sobre Violências de Gênero
Palavras-chave:
Educação, Direitos Humanos, GêneroResumo
Introdução: Alice Júnior é uma adolescente em busca de reconhecimento e respeito, cuja trajetória evidencia as múltiplas camadas de exclusão e preconceito que atravessam corpos dissidentes no cotidiano escolar. A cultura da transfobia opera como mecanismo de reprodução das desigualdades estruturais e atua como fator que contribui para a evasão escolar, impactando diretamente a permanência de estudantes trans no ensino médio. Objetivo: Analisar o filme Alice Júnior, destacando a transfobia como uma forma de violência de gênero que atravessa o espaço escolar e repercute na permanência de estudantes trans na educação básica. Metodologia: A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma análise qualitativa do filme, fundamentada nos estudos de gênero, diversidade sexual e educação em direitos humanos. Foram selecionadas cenas que revelam situações de violência simbólica, exclusão e silenciamento da identidade da protagonista. Também foram mobilizados dados secundários de pesquisas sobre a evasão escolar de estudantes trans no Brasil, articulando a leitura fílmica a uma perspectiva interdisciplinar e crítica. Resultados: A análise evidencia que a transfobia escolar, representada no filme, reflete práticas sociais que naturalizam a exclusão de estudantes LGBTQIAPN+, especialmente de pessoas trans. O não reconhecimento da identidade de gênero, a hostilidade nas relações e as barreiras institucionais reforçam o risco de evasão, confirmando índices elevados de abandono escolar. Contudo, a obra também revela estratégias de resistência, redes de apoio e o papel fundamental do acolhimento familiar como fatores de proteção e fortalecimento. Conclusão: Conclui- se que Alice Júnior é uma ferramenta pedagógica potente para refletir sobre as violências de gênero e a promoção de uma educação inclusiva. O estudo destaca a urgência de práticas educativas críticas e emancipadoras, pautadas no enfrentamento do sexismo, da transfobia e do racismo, reafirmando o direito de existir como princípio dos direitos humanos.






