O NOVO ENSINO MÉDIO EM FOCO: A REALIDADE DAS ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS DA CIDADE MURIAÉ/MG
Palavras-chave:
Novo Ensino Médio, reforma curricularResumo
Nos últimos anos, o sistema educacional brasileiro passou por diversas reformas, sendo uma das mais significativas a implementação do Novo Ensino Médio. As discussões sobre mudanças no Ensino Médio estavam em pauta desde 2013. Entretanto, em 2016 foi editada a Medida Provisória nº 746 que posteriormente se tornaria a Lei nº 13.415/ 2017, conhecida como a Lei do Novo Ensino Médio. Esta reforma foi justificada pela busca de maior flexibilidade curricular e aproximação da Educação Básica com as demandas do mercado de trabalho e da sociedade. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo analisar a reforma educacional com enfoque na realidade da cidade de Muriaé/MG. Para tal foi feita a análise documental das legislações nacionais e estaduais que determinaram as regras para a implementação do Novo Ensino Médio e a realização de entrevistas com três sujeitos diretamente envolvidos neste processo: um gestor, um docente e um técnico da Secretaria Estadual de Educação. No geral, constatou-se que tal reforma foi implementada de forma verticalizada, sem a participação efetiva das comunidades escolares e acadêmicas. Não houve estudo prévio da infraestrutura da escola que receberia o novo modelo de ensino, resultando em dificuldades na adaptação ao novo modelo e prejuízos na relação entre alunos, educadores e gestores. Os entrevistados destacaram ainda o distanciamento do ensino em relação à realidade dos alunos e as pressões políticas para sua implantação, além de impactos na carga horária docente, distribuição de aulas e evasão escolar. Em suma, os resultados expõem que as modificações poderiam ser benéficas ao sistema educacional brasileiro se, antes da Lei ser implementada, as carências preexistentes nas escolas estivessem sido solucionadas e a comunidade escolar fosse envolvida no processo. São necessárias novas estratégias que considerem as realidades locais e envolvam os sujeitos da escola para garantir avanços efetivos na qualidade do ensino público.






