Vozes que faziam chover: quebrando a dormência das sementes da memória
Palavras-chave:
Ancestralidade, Memória, Medicinas Sagradas, ReflorestamentoResumo
Esta pesquisa etnográfica e histórica, conduzida em Bom Jesus do Itabapoana, na confluência entre o campo e a periferia investiga a memória ancestral como um saber vivo e contínuo. O estudo teve como objetivo central ressalvaguardar o conhecimento das medicinas sagradas e as tecnologias ancestrais de cura associadas às árvores e plantas regionais. Para tal, o trabalho se concentrou na escuta ativa na casa de duas mulheres, reconhecidas pelas comunidades como guardiãs de saberes milenares, durante um período de três meses, a partir de entrevistas, com gravadores, fotografias e vídeos. Os encontros permitiram o registro de práticas de autocuidado, prevenção de doenças, reconhecimento territorial e cultural das histórias e memória local, e a manutenção de um legado que remonta ao período pré- colonial, de povos originários desta terra, os Puris e os africanos que vieram sequestrados para essa localidade. A pesquisa destaca a periferia e o campo como centros de criação de soluções para crises sociais e, notavelmente, para as mudanças climáticas. No entanto, a identificação das espécies revelou uma preocupante constatação: a ausência de muitas árvores e plantas, evidenciando o desmantamento florestal da região. Essa discrepância entre o rico legado medicinal e a degradação ambiental reforça a necessidade urgente de investimentos e estratégias de reflorestamento da biodiversidade local. Concluise que a preservação da memória ancestral e dos saberes territoriais está diretamente ligada à manutenção da vida e da integridade ecológica da região






